22 fevereiro 2014

VOCÊ SABIA

Imagem:Google


Não quero pensar em você. E no entanto, quando fecho os olhos, tua imagem é tudo o que vejo.
Por que ainda atormenta meus sonhos, aparece em meus pensamentos, se faz presente ainda que eu não queira que você esteja aqui?
Os livros que me deu ainda pendem da estante. Aquela dedicatória esfregada na minha cara como que para me lembrar a cada dia do quão covarde você foi, fugindo do seu próprio coração.
Não adianta negar, você nunca foi bom nisso mesmo. Você era muito melhor em SE enganar, do que em ME enganar. Sabe o quanto eu era capaz de te entender e explicar as coisas que você sentia,  mas não conseguia definir. Você sabia menos do seu coração do que eu, tanto que quando descobriu, fugiu, deixando para trás a responsável por abrir as portas e janelas e deixar entrar a luz nesta caverna obscura a que poucas - se é que houve alguma - tiveram acesso.
Você foi embora e jogou em mim a culpa, como se o monstro da história fosse eu. Sabia o tamanho do poder que tinha, o quanto de minha alma entreguei em tuas mãos e ainda assim, dilacerou cada pedacinho, me deixando para morrer afogada em minha próprias lágrimas. Lágrimas essas causadas por você e por cada atitude fria, cada palavra cruel, cada uma como uma facada mais funda no meu coração.
Eu lembro de cada sorriso. De cada palavra. Cada comentário imbecil ou inteligente que a gente fazia. Lembro de como você conseguia me decifrar pelo meu olhar, pela minha voz e até mesmo pelo jeito de escrever as mensagens no computador para você. Mesmo a quilômetros de distância, você sabia. Mesmo eu tendo escrito em códigos, você sabia que era você a fonte de inspiração. Você sabia quando eu estava bem e o contrário também. Sabia quando eu queria colo e quando queria ficar sozinha. Sabia quando falar e quando calar.
Você sabia de tudo. Só não sabia que eu habitava dentro de você, justamente naquele cantinho trancado onde você não deixava ninguém entrar. E quando eu entrei, você sabia que eu não poderia mais permanecer ali, e me expulsou como uma criminosa, me atirou ao nada, porque sabia que se não fizesse isso, nunca mais seria capaz de me tirar dali.
Você sempre soube de tudo. 
Você sabia desde o começo que isso ia dar errado.
Eu sabia também, que era bom demais para ser verdade, mas quando a gente ama com o coração - e não com a cabeça, como você está acostumado - a gente não consegue enxergar.
Até que seja tarde demais.
Como foi para mim.
Como foi para você.
E termina assim.
Sem razão, nem porquê.



2 comentários:

  1. "(....) Você sabia desde o começo que isso ia dar errado.
    Eu sabia também, que era bom demais para ser verdade, mas quando a gente ama com o coração - e não com a cabeça, (...) - a gente não consegue enxergar.
    Até que seja tarde demais.(...)"

    O duro de tudo isso, Ju, é que realmente a gente sempre sabe que o "trem" não vai dar certo! Mas e daí, se saber não é sentir, quando são justamente os sentimentos que nos comandam?!!
    Não preciso dizer que amei seu texto, né? Parabéns, mana!!!

    Beijos!

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    Respostas
    1. Obrigada Malu!
      Realmente, saber não é sentir. Disse tudo!
      Diante dessa comprovação, digo mais o quê?
      Beijoss

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