19 março 2014

Entre elas...

Imagem retirada do Google


De algum lugar do universo,
Março de 2014

Querida menina,

Tenho observado o mundo em seus acontecimentos diversos, e percebo que embora tenha havido uma evolução no campo das ciências e da tecnologia, as formas de opressão continuam quase tão horríveis quanto às da época em que aí estive. Se no meu tempo prendiam-se pessoas em campos de concentração, atualmente aprisionam-nas em modelos de comportamento e padrões sociais geralmente inalcançáveis para a grande maioria.

Sei que você, assim como outras milhares de garotas, leu o meu diário, se identificou com muitas das minhas palavras. É natural, né? Penso que não importam as experiências que vivenciamos, o coração humano vai ser sempre o repositório de sentimentos semelhantes... Mas, daqui, observando todas vocês, minhas leitoras, acabei te escolhendo para ser a destinatária da minha carta porque temos afinidades   que talvez você nem imagine.

A primeira delas, eu vou confessá-la agora para você, é que eu também tive muito medo. Medo de não corresponder às expectativas que criaram em torno de mim, de fazer minhas próprias escolhas e deixar de ser a "Anne" querida por todos. Como me foi difícil linda menina, principalmente naquele período em que estivemos todos reclusos no anexo... Acho que maior que a aflição decorrente da falta de liberdade, era a que me dominava o peito, oprimindo-me o coração.

Presa a esse sentimento assim como você se vê hoje, acabei por perceber naquele tempo que "o papel tem mais paciência que as pessoas"  e por isso fiz daquele caderninho - meu querido diário -, o meu refúgio. Ainda que dentro dos limites impostos pelas paredes que me cerceavam, escrevendo naquelas páginas eu me sentia realmente livre, sem amarras e com o coração relativamente em paz. E é exatamente por isso que entendo tua aflição querida.

Seu coração anseia por liberdade, e você a tem buscado com todas as suas forças, certo? O que você não tem percebido todavia, e aqui entra o objetivo dessas linhas que te escrevo agora, é que você mesma tem se trancafiado nas grades do medo, da insegurança, do orgulho... Você teme tanto a rejeição minha cara, que sem perceber sabota todas as oportunidades de vivenciar o único sentimento que pode vir a te libertar.

Sim, querida. É sobre o Amor que venho te falar. Esse mesmo amor que você tem buscado e do qual se afasta sempre que a presença dele se faz notar no seu coração. Você o deseja, mas ao mesmo tempo o oprime, o sufoca, subtraindo-lhe todas as chances de te tirar do cerco desses muros que você ergueu em torno de si. Esse tempo em que você vive já não cabe mais nenhuma forma de opressão... Assim, desafogue seu coração de todos esses medos. Lembre-se do único e mais importante conselho que venho te dar: Liberte-se!! Viva!!

Com carinho e votos de felicidade,


Annelies Marie Frank

***

Oi, gente!! Esse texto é recente, o escrevi para participar de um concurso promovido pela Editora Record. A proposta era que escrevêssemos um texto abordando o tema opressão em uma ou várias das suas formas de expressão. Não cheguei a enviá-lo pois não sei por que cargas d'água os responsáveis pelo concurso acabaram antecipando o prazo previamente estabelecido para o envio dos textos... =/ ...Mas, enfim, somente os Dears puseram os olhos sobre essas linhas que, agora, venho dividir com todos vocês. Fui um tanto audaciosa ao escrevê-lo, mas, espero que gostem!
Beijo no coração de todos,

Malu

Um comentário:

  1. Malu!!
    Você ia ganhar com certeza!
    Só não sei como você conseguiu colocar as mãos na carta que Anne Frank escreveu para mim, mas tudo bem. kkkk
    Brincadeiras à parte, que sensibilidade, que ideia interessante.
    A gente fala tanto de opressão que fica parecendo que é uma coisa que vem de fora, que só os outros fazem com a gente. Aí esquecemos da opressão que nós mesmos nos colocamos, das amarras em que nos prendemos, das máscaras que usamos para esconder nossos próprios medos e dos "anexos" que encontramos para nos esconder destes mesmos medos.
    Enfim, sem mais palavras, adorei o texto.
    Parabéns!

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