10 abril 2014

Se eu fosse



Se eu fosse um ser irreal
Uma alma de outro mundo
Que passeia nos sonhos de alguém
Revirando-se entre chuvas gélidas
Vagando de tempos em tempos
Sem parada, sem destinos,
Morrendo de fantasia em fantasia selvagem.

Fosse eu apenas uma lembrança
Nas recordações de uma mente displicente
Alimentada pelo néctar das flores
Poderia ser eu, uma palavra entre tantas outras de um livro,
Ou um caminho entre tantos destinos, tantas direções.

Fosse eu uma semente de paz
Um alucinógeno na esperança de um sonhador
Uma saudade distante, um raio de sol de outro planeta,
Ou uma rua sem fim de uma periferia qualquer.

Se eu fosse o vento que arrebenta tudo
E passeia pelos mundos, mas que sempre descansa
Numa planície da selva que esconde mistérios
Fosse eu uma chance de vitória numa batalha sangrenta,
Ou o tecer da manhã no cantar vazio de um galo.

Fosse eu um desvio vadio nas curvas imaginarias
De um horizonte mirado nas areias quente de algum deserto
Fosse eu, folha seca a bailar com a brisa da noite,
Ou chuva tempestiva que cai dos céus sem avisar.

Fosse eu quem fosse
Seria mais feliz do que sou agora:
Um rascunho almejado na mente de um poeta desesperado.


Manueli Dias

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