31 maio 2014

As Cartas Que Você Nunca Vai Ler #3

Olá pessoal! Sábado passado eu fiquei devendo meu texto, portanto, minha intenção hoje é postar dois textos para compensar o esquecido. O primeiro texto é esse, uma carta, onde tomei por inspiração o livro de Jane Austen, "Persuasão", e seus protagonistas Anne Elliot e Capitão Frederick Wentworth, que na história se reencontram após oito anos de separação. Imaginei como seria uma carta de Anne para Frederick, se ela pudesse escrever sobre seus sentimentos por ele no momento do reencontro. Espero que vocês gostem.

Persuasão - Jane Austen - Filme 2007


Carta ao Teu Retorno

Meu querido Frederick,

Tanto tempo se passou desde a última vez em que nos vimos e, no entanto, este súbito e inesperado reencontro veio apenas para provar que o tempo, por maior que seja, não é nada quando se trata de sentimentos.
Todo esse tempo afastada de ti, acompanhei cada resquício de notícia, apenas querendo saber por quais caminhos seguias, se tudo estava bem, se você estava vivo. Qualquer menção servia para diminuir minha angústia. Lutei todo este tempo comigo mesma, sempre repetindo a frase que entre nós não havia mais esperanças, pensando que deste modo, pudesse ter convencido meu coração. 
Oh, doce ilusão. bastou ouvir teu nome e saber de seu retorno que todas as estratégias ruíram, assim como todas as muralhas que pensei que tivesse erguido entre nós. Evitei você o máximo que pude, mas o reencontro aconteceu.
Ao ver você entrar por aquela porta, senti o chão se desmanchar sob os meus pés; senti o sangue esvair-se de mim. Cheguei a pensar que fosse desmaiar devido à tanta emoção, porém, consegui manter-me de pé. todos esses anos apenas lhe fizeram bem. Você parece ainda mais encantador do que quando lhe conheci, e eu jamais pensei que isso fosse possível.
Eu não sei o que há comigo. não sei porque escrevo estas palavras se jamais terei a intenção de entregá-las em suas mãos. Não existe a menor esperança para o nosso amor, que permanecerá perdido no passado. Foi tempo demais e a mágoa que lhe causei está ainda visível em teu olhar. Por isso, agora terei de pagar o preço de conviver com a terrível realidade de que jamais serás meu novamente. E pensar que houve um tempo em que não poderiam existir dois corações tão abertos ou em tão plena sintonia como os nossos... E hoje, apenas nos restam cumprimentos, um aceno de cabeça, gestos automáticos de educação. Formalidades.
Oito anos e eu pensava que tudo pudesse estar resolvido. Oito anos e apenas um aceno, um olhar - ainda que frio; e todas as teorias provaram-se erradas. Oito anos não são nada. Por mais que você nunca vá ler estas palavras, quero que de algum modo saiba que eu ainda amo você.


Sua amada,
Anne Elliot

4 comentários:

  1. "...Oito anos e eu pensava que tudo pudesse estar resolvido. Oito anos e apenas um aceno, um olhar - ainda que frio; e todas as teorias provaram-se erradas. Oito anos não são nada..."

    Estupefata!!!! Linda carta, Ju, completamente a altura da escrita pelo Capitão Frederick Wentworth. E esse trecho que destaquei, bom, eu diria que ele está perfeito...

    Beijos!

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    1. Oi Malu!
      Logo que escrevi este texto, fiquei louca para ver sua reação!
      Como você gostou muito do livro, sua avaliação era importante para mim!
      Que bom que você gostou!

      Bjosss

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  2. Amei essa carta, definitivamente Anne a teria escrito assim mesmo.... Linda.. um abraço.

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    Respostas
    1. Obrigada!
      Fico feliz que tenha gostado e dedicado um pouco de seu tempo à leitura do meu texto.
      Anne e eu temos algumas coisas em comum, confesso que essa carta não é tão só dela assim...
      Obrigada pela visita e seja sempre bem vinda!

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