03 maio 2014

Um Dia Passa... Não Passa?

Antes de começar o texto, quero aproveitar para parabenizar aos meus colegas, pois sem falsa modéstia, nosso blog está cada vez melhor e as últimas postagens estavam simplesmente incríveis. Então parabéns amigos! Nosso blog está demais!
Agora, vamos ao texto de hoje.




Foto: Arquivo pessoal




Um dia passa, sabe? Tudo isso daí que você está sentindo.
O tempo que demora eu não posso te dizer,  pois cada um sabe a intensidade de sua dor, mas posso te dizer que vai passar.
Um dia você vai conseguir escutar aquelas músicas sem chorar. Vai prestar atenção nos versos e perceber que eles já não fazem mais sentido. Como é que eu sei disso? Porque para mim já passou.
Você vai ler tudo isso agora e provavelmente vai pensar "você não sabe nada do que eu passei" e eu te digo, não, realmente não sei. Mas sei de tudo o que eu passei.
Lembro daquela noite como se fosse ontem. De cada detalhe, de cada palavra digitada na tela do computador. Cada insulto, cada acusação. Lembro da noite que passou molhada, do rio que correu pelo meu travesseiro, do dia amanhecendo e de como levantei da cama automaticamente, sem reagir, respirando mais por costume do que por outra coisa. Lembro de como meus olhos estavam inchados e do tamanho das olheiras que passei a ostentar. Lembro do peso de 200 toneladas sobre as minhas costas e de como eu pensei que não fosse sobreviver. Lembro da música que embalou as primeiras noites insones.





Pois é, as lembranças infelizmente não passam. Mas a forma de encará-las, sim. A dor vai embora de uma certa maneira. Não posso dizer que se foi totalmente e nem se vai sumir de uma vez um dia. Mas ela vira uma espécie de pedaço de você. Fica fazendo parte daquele momento de aprendizado e você vai aprendendo a conviver com ela.
De certa forma você vai negar. Vai encontrar mil desculpas para continuar pensando, lembrando e cantando toda a trilha sonora dessa história.  Você vai ter momentos de achar que a culpa foi sua. Ah se você tivesse agido assim... Ah se você não tivesse desistido... Ah se você tivesse sido mais carinhosa...
Em outros momentos você vai parar e lembrar que fez muito mais do que devia. Que gastou noites de sono fazendo coisas que iam deixa-lo feliz. Que virou as madrugadas pensando nos problemas que ele te confessava e em como você poderia ajudá-lo a resolver. Que perdeu agradáveis encontros com seus amigos porque estar com ele parecia mais interessante no momento. E se esses amigos estão aí do seu lado ainda, nunca mais saia de perto deles, porque eles sim, são reais.
Depois de analisar esse lado da questão, você vai parar e pensar nele. Em tudo o que ele fez por você. Se encher uma mão, você tá no lucro. Mas analise sinceramente. O que de realmente importante ele deixou de lado por você? E nesse momento você pensa: “como pude deixar meu coração nas mãos daquele idiota?”. Idiota! Finalmente você percebe que ele era um idiota! Oba!
Aí você já se vê plenamente recuperada até que toca aquela música:





Voltam as lembranças. Aquele sorriso de canto de boca quando ele te viu visitando-o no trabalho de surpresa. Aquele elogio num dia que você estava de cabelo preso, camiseta e calça jeans. Aquele ataque de ciúme discreto quando seu melhor amigo roubou sua atenção dele por um instante. Aquele olhar meio de lado te perseguindo pela sala...
Você vai ler tudo de novo aquelas coisas tão doces que um dia ele te escreveu e que você ainda não teve coragem de jogar fora (mas um dia vai ter, confie em mim).
E chora tudo outra vez. E se descabela. E dorme chorando de novo. E põe a música no repeat. Para acordar no dia seguinte e perceber que o sol está brilhando, os pássaros estão cantando e a vida continua.
Sei que parece um monte de baboseira, e que provavelmente você vai dizer que eu não sei nada da sua vida, que eu nem te conheço, quem sou eu para falar de você? Que é fácil falar quando não é você que sente e blá, blá, blá. Acredite, eu usei todas essas técnicas com quem tentou me ajudar.
Mas a recuperação é um ciclo. É como o tratamento de um vício, repleto de recaídas. O importante é saber seguir em frente.
Você vai chorar um milhão de vezes. Vai se arrepender de ter chorado mais um milhão. Vai xingar ele de todos os nomes e depois defende-lo e voltar a xingá-lo.
Mas um dia, acredite, um dia, as lembranças serão só lembranças. A dor será uma parte da lição. Aquelas músicas vão continuar sendo lindas, mas não vão mais se encaixar no momento presente de sua vida.
Aí você percebe. Acabou o capítulo. Página virada. História nova.

4 comentários:

  1. Que lindo Ju! Texto maravilhoso!
    Coisa boa virar a página não é!?

    Adoirei!

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    1. Pois é Van. E quando a gente vê que tem alguém precisando virar a página também, a gente tenta ao menos ajudar de alguma forma... A minha é escrevendo!
      Bjo

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  2. Adorei Ju!!! Bom mesmo é saber que um dia passa!!!

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    Respostas
    1. Passa sim, Cá! Um dia deixa de ser a coisa mais importante e se torna apenas uma coisa.
      Obrigada por comentar!

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