07 junho 2014

E se?



Peguei o caderno por costume, pois sei que essa inquietação não passa de vontade de escrever. Estou aqui então, na calada da noite, papel e caneta na mão e, no entanto, não sei aonde esse texto vai dar. Nada do que me vem á cabeça parece proveitoso, porém, sei que se não escrever, meu peito parecerá explodir numa angústia sem fim.
Tudo o que me vem à cabeça são lembranças e eu não gostaria de lembrá-las o tempo todo. Contudo, elas insistem em rodear minha mente e atormentar minha quietude e eu não tenho ideia do que possa fazer para calá-las. 
A lembrança de um amor que agora parece tão distante, mas que foi, naquele momento, a coisa mais pura e e preciosa. Tudo em nós era descoberta. A descoberta do amor correspondido. Quando eu soube que habitava teus desejos. Quando o sonho se transformou em realidade. O primeiro beijo. O primeiro toque. O primeiro amor.
Eu sabia que não seria para sempre, mas ainda assim imaginei nosso futuro. Nós dois velhinhos, uma casinha branca, contando aos nossos netos como nos conhecemos... Tão distante da realidade de agora...
Ainda que eu soubesse, foi bom sonhar com você. Sinto falta disso, sabia? Não exatamente falta de você, mas falta do que eu tinha quando estava contigo.
Sonhos, esperanças, a pureza e a inocência de acreditar num amor de Contos de Fadas... Você foi meu Príncipe Encantado, ainda que nosso final não tenha sido feliz. você foi meu sonho que virou realidade; a esperança que se concretizou, meu amor puro e verdadeiro, eterno enquanto durou...
E hoje a insônia me atormenta porque meu coração quer outro amor assim. Minha cabeça teima em dizer que ele não existe, mas lá no fundo, em recantos inimagináveis de minha alma, existe uma pequena chama travessa que insiste em perguntar: "Mas e se esse amor existe? E se contra todas as possibilidades, contra até mesmo o fato de você não acreditar, esse amor existe, por aí em algum lugar?".
E eu não durmo, pois fico a me perguntar: "E se você existe? Onde está, que ainda não veio me encontrar?"

"Onde está o meu amor?
Quem será, com quem se parece?
Deve estar por aí...
Ou será que nem me conhece?
Onde andará o meu amor?
Seja onde for, irá chegar..."
(RPM - Onde Está o Meu Amor?)

2 comentários:

  1. "...mas e se esse amor existe? E se contra todas as possibilidades, contra até mesmo o fato de você não acreditar, esse amor existe, por aí em algum lugar?" Eis a pergunta que ñ quer calar, hein, Ju?

    Amei seu texto, como sempre! E, ao lê-lo, imediatamente lembrei dessa música...

    Você Existe, Eu Sei
    Biquini Cavadão

    Há tanto tempo venho procurando
    Venho te chamando
    Você existe, eu sei
    Em algum lugar do mundo você vive
    Vive como eu
    Onde eu ainda não fui
    Como é o seu rosto?
    Qual é o gosto que eu nunca senti?
    Qual é o seu telefone?
    Qual é o nome que eu nunca chamei?
    Se eu esbarrei na rua com você
    E não te vi meu amor
    Como poderia saber?
    Tanta gente que eu conheci
    Não me encontrei só me perdi
    Amo o que eu não sei de você
    Como é o seu rosto?
    Qual é o gosto que eu nunca senti?
    Qual é o seu telefone?
    Qual é o nome que eu nunca chamei?
    Sei que você pode estar me ouvindo
    Ou pode até estar dormindo
    Do acaso eu não sei
    Talvez veja o futuro em seus olhos
    Pelo seu jeito de me olhar,
    Como reconhecerei voce?

    Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai que lindo, Maluuu!!
      Amei a música, é perfeita!
      Vou já tratar de procurá-la!
      Bjos e obrigada!
      :*

      Excluir

Obrigada pela sua visita!
Ficaremos muito felizes com teu comentário!

Att,
Nós, Poéticos e Literários!
nospoeticos@gmail.com

Design por Amanda
[ voltar para o topo ]