22 julho 2014

Descaminhos



Ele era assim, cheio de receios. Não gostava de ter tantas dúvidas mas as circunstâncias o fizeram ficar assim. E aquela era mais uma situação que comprovava isso. Estava namorando havia só dois meses, mas terminou o namoro quando descobriu que a menina era filha do dono da padaria da Rua D. 

Todos falavam que o padeiro não valia nada e que seu negócio era cheio de falcatruas... E ele era m dos que espalhavam a notícia, agora de repente se apaixona pela filha do cara!? De fato suas impressões estavam comprovadas. Nasceu para ficar sozinho na vida... Nem mesmo sua mãe o aceitou, Assim que ele nasceu ela caiu no mundo deixando com a avó que já era de meia idade.

Mas o fato era que a menina, a filha do padeiro, não aceitava o fim do namoro sem explicações. Vivia cercando-o na escola. Dizia que mesmo que não houvesse volta ela tinha o direito a uma explicação. 

Um dia, fato de tantas torturas e interrogativas ele desabou, disse para a menina tudo que se passava, que o pai dela era um monstro devorador dos direitos humanos, que vivia saindo pela madrugada com cara de alguém que está fazendo algo errado e que ele não poderia namorar a filha de um cara suspeito. Que era honesto demais para cair nessa. e que provavelmente ela era uma cúmplice do pai.

A menina ouviu tudo calada e depois saiu de perto dele. Deve ter ido embora, pois ela não a viu na aula de inglês depois do intervalo. Quando chegou em casa e abriu a mochila para fazer os exercícios de casa encontrou um bilhete. Era a letra dela... 

Mas que Atrevi.... e começou a ler

Eu e meu pai saímos sim todos os dias a noite, mas é para levar meu irmão ao médico. Ele é muito doente e infelizmente meu pai não quer que as pessoas saibam que ele existe. 

Não, meu pai não tem vergonha do meu irmão, ele tem medo do que este povo egoísta e preconceituoso da nossa rua pode fazer contra meu irmão A doença dele é raríssima e poucos compreenderiam. 

Eu fui tola em achar que você seria um desses poucos. Ia te contar sobre meu irmão naquele dia em que você terminou comigo. Seu idiota! 

 Uma pena você pensar tanto e dizer tão pouco. Ainda te amo muito para dizer que acabou, mas seu preconceito é grande demais para dizer que ainda continua... 


 Assinado. B

Não, ele não saiu correndo e foi atrás dela, como normalmente fariam os garotos apaixonados que percebem ter cometido uma grande besteira. Esperou uma semana e então escreveu um bilhete para ela:


Desculpe ser tão pessimista e puritano. Mas nunca rejeitaria você por que há alguém doente em sua família. Fui tolo em acreditar que seu pai era um criminoso mas também não tenho culpa de ter essa doença que chamo dúvida compulsiva.

Naquele dia eu estava preparado para te dizer que eu tinha começado o tratamento psicológico, mas achei que você estivesse mentindo pra mim. Então, preferi terminar.

Desculpe as palavras duras, também continuo a te amar. Essa é a única certeza que tenho neste mundo de dúvidas que vivo. Espero que algum dia possamos nos reencontrar.


Ass.: P

Depois desse episódio não tivemos mais notícias dos dois, somente que cada um seguiu sua vida e agora os dois com dúvidas sobre o amor do outro pelo um... A única certeza que tinham era que diante da dúvida a melhor reposta é a pergunta.

Por Vanessa Vieira



Boa semana Minha gente!

2 comentários:

  1. "Diante da dúvida a melhor resposta é a pergunta."

    Ai, Van! E se a gente tem dúvidas, significa que já temos também todas as respostas? Isso dá o que pensar, hein?!

    Adorei o conto! Beijos!

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  2. rsrs. Uau! Você foi direto ao ponto Malu! hehehe
    Vamos longe com estes pensamentos hein! =)

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