02 agosto 2014

O Fim do Mundo

Fonte da Imagem: IMVU Groups


2012 foi o ano do fim do mundo. Pelo menos para ela.
Tudo estava aparentemente no lugar certo. Tudo encaminhado. Faculdade terminando. mais um ciclo que se acabava para outro poder começar. Relações consolidadas. Amigos que atravessariam eras, e outros que chegavam para fazer parte de sua caminhada também. Um amor que duraria a vida toda e estava lá naquele cantinho, guardado para ser só seu. Um dia.
Mas então veio um meteoro e atingiu em cheio o centro de seu universo.
Derrubou o primeiro pilar de seu mundo. Os doze anos de consolidação se esvaíram nas chamas intensas de uma bola de fogo atirada sabe-se lá de onde. Mágoas guardadas foram jogadas como pedras, injúrias em forma de flechas atingiam ainda mais fundo, rasgando todo o tecido de amor que revolvia aquela construção. Desabou.
Em busca de abrigo, ela saiu e se atirou na proteção do segundo pilar. E veio outra bola de fogo, que três anos de promessas e confidências, não foram capazes de segurar. Ela se enganou ao não perceber que o material que revolvia a construção era fraco. Que os sentimentos pesavam muito mais de um lado do que do outro. Desse modo, mais inclinado que a Torre de Pisa, o segundo pilar veio ao chão.
As chamas continuaram engolindo tudo o que viam pela frente e finalmente atingiram o mais antigo abrigo onde ela se escondia. Levaram a inocência de seu primeiro amor, a esperança de ser correspondida, a certeza de que acontecesse o que acontecesse, aquele refúgio sempre estaria ali. Mas o fim do mundo mostrou que não.
E assim, seu mundo se acabou. As chamas tomaram seu corpo e a água que lhe escorria dos olhos não era suficiente para apagar o incêndio que a desfazia. Ela caiu, desanimou, chorou mais do que achava que era possível. Até que dois pares de braços a resgataram dos escombros. Dois ombros lhe confortaram. Dois anjos velaram por ela.
E ela reacendeu, não as chamas do incêndio que a devastara, mas suas próprias chamas. Descobriu-se fênix, renasceu das cinzas onde outrora se atirara e voltou a voar. O voo da vida, que nunca pode parar.

"É a pior morte, a do amor. Porque a morte de uma pessoa é o fim estabilizado, é o retorno para o nada, uma definição que ninguém questiona. A morte de um amor, ao contrário, é viva. O rompimento mantém todos respirando: eu, você, a dor, a saudade, a mágoa, o desprezo - tudo segue. E ao mesmo tempo, não existe mais o que existia antes. É uma morte experimental: um ensaio para você saber o que significa a morte estando vivo, já que quando morrermos de fato, não saberemos" (Martha Medeiros)

4 comentários:

  1. Ju,

    E mais uma vez a nossa "conexão" se mostra presente! Vi esse texto da Martha hoje cedinho, e por muito pouco não o postei no facebook! Daí agora me deparo com ele encerrando seu post, que se eu disser que está lindo, vou estar limitando a beleza dos sentimentos que ele descreve. Sim, beleza, porque apesar de inicialmente falar de "fim" e "destruição", seu texto me fez refletir primeiro sobre renascimento... Qual sensação é melhor que a de se descobrir fênix, capaz de se refazer apesar dos escombros e destroços? Só sei de uma, que é justamente a que Ela (personagem do texto) relata: a de se ver envolvida pelos braços da Amizade. Foi isso o que aconteceu com Ela, acertei? Ouso achar que sim, porque só esse sentimento - Amizade - tem a força de refazer sonhos, transformar mundos e reconstruir até mesmo universos!

    Parabéns, gêmea! Lindo, lindo, lindo!

    Bjs!

    ResponderExcluir
  2. Certíssima Malu!
    Somente esse sentimento tem o poder de curar feridas tão profundas e fazer renascer aquilo que parecia irrecuperável.
    Quanto à sintonia, é toma-lá-dá-cá. Estamos afiadas!
    Obrigada pelas palavras sempre tão belas e carinhosas!
    Beijossss

    ResponderExcluir
  3. E quando a gente não tem palavras para comentar um texto maravilhoso como esse, a gente faz o que?
    Estou aqui sem palavras, sem saber o que dizer! Então como diz uma colega minha: Você arrasou Ju!
    Lindo texto! Amei!
    Beijo!!

    ResponderExcluir
  4. Ownn Cá!
    Obrigada!
    Não saiu bem como eu queria, tinha imaginado um monte de coisas, mas a cabeça tava tão cheia que foi saindo, saindo e eu perdi o controle dos meus pensamentos! hahaha
    Mas que bom que você gostou! Fico feliz! Bjosss

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua visita!
Ficaremos muito felizes com teu comentário!

Att,
Nós, Poéticos e Literários!
nospoeticos@gmail.com

Design por Amanda
[ voltar para o topo ]