16 setembro 2014

O despertar do dia


Texto de Vanessa Vieira

O dia nascia aos poucos e a intuição dizia que era dia de sol. Olhei pela janela e o mar estava calmo. Como imaginara o sol veio de mansinho mostrando a mim sua suavidade, conhecida de todo dia, mas a cada dia mais rara. 
Vanessa Vieira, Nós poéticos e literários, crônica
Fotografia: Vanessa Vieira
Me perdi entre pensamentos e a visão daquele sol que subia, deixei esfriar o café. Então, naquele clima de nostalgia levantei-me deixando sobre a mesa a caneca de alumínio. Cruzei a sala, a varanda rodiei a casa e fui para a porta dos fundos queria observar mais um pouco o sol. 
Quando retornei para dentro de casa o sol já iluminava o dia e meu atraso para o trabalho estava consumado então deixei a bolsa sobre a mesa contornei de novo a casa e fui passear pela praia. Atitude insana, pensava com minha racionalidade. Necessidade de vida, dizia meu coração. 
Percorri quilômetros daquela praia ainda deserta pelas obviedades de uma manhã de segunda-feira.  E preparava-me para retornar quando avistei aquele homem sentado na pedra. Fiquei a observá-lo durante algum tempo. Às vezes parecia que ele nem pertencia a este mundo. Com uma vara nas mãos e os olhos fixos no mar parecia mais uma peça da paisagem que estava diante de mim. 
Quando estava quase certa de tal fato a vara mexeu, tirando o pescador da inercia de sua posição e eu de minha quase alucinação. Com toda habilidade do mundo o senhor tirou o peixe do anzol e no minuto seguinte fez com que voltasse à água. Preparou o anzol novamente e voltou para a posição que eu o havia encontrado. 
Atordoada, dei meia volta porque acordar tão cedo? Por que esperar tanto tempo para depois perder o que foi esperado? Para minha surpresa quando cheguei em casa uma mensagem em meu celular me dizia que a reunião daquela manhã estava cancelada.
Então, esquentei meu café, peguei minha caneca de alumínio, sentei na cadeira que ficava na varanda e entre pensamentos afirmativos e perguntas fui me convencendo das necessidades que temos de fazer algumas coisas simplesmente para nos satisfazer.  Sem explicar o porquê ou o como. Pensava em como eu estava bem, sentada ali naquela varanda tomando meu café. E eu não precisava explicar a ninguém o motivo daquilo. Quem sabe não seria essa a minha lição do dia? 

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Crônica escrita para avaliação em um curso que estou fazendo sobre texto, discurso e ensino. 
Gostei muito do resultado e por isso Compartilho com vocês. Espero que tenham gostado.
Vanessa Vieira


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