22 outubro 2014

A música não vai parar


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Estava chovendo, fazia muito frio lá fora, mas eu tinha que ir embora. Os pingos finos da chuva não conseguiam esconder as lágrimas que ameaçavam cair e que logo aqueceriam meu rosto. Sai pelas ruas escuras da cidade, sem rumo, sem direção. Carros passavam, pessoas sorriam, o mundo estava vivendo, e eu apenas existindo no meio daquele vazio imenso. Continuei andando em meio a chuva. Nos fones de ouvido tocava Love, where is your fire? a música que representava nós dois. Eu estava esperando você me encontrar durante esse tempo que passei perdida enquanto a música não acabava, mas ela estava se repetindo, talvez te dando uma 'segunda' chance de voltar atrás e vir correndo ao meu encontro. 

Peguei o ônibus que seguia rumo a minha casa, nos fones ainda tocava a mesma canção. Agora as lágrimas estavam lavando o meu rosto gelado e pálido, talvez até sem vida. As pessoas me olhavam, cutucavam umas as outras, apontavam pra mim, riam da minha dor, e eu nada podia fazer para conter a saudade que essa música me causava de você, eu só sabia chorar e sentir tuas mãos tocando o meu rosto e enxugando minhas lágrimas. Você não foi me encontrar. A música ainda está tocando, dá tempo.

Cheguei em casa e corri para o quarto, enterrei meu rosto no travesseiro e continue chorando. Eu estava meio molhada dos pingos rasos de chuva, meus olhos estavam vermelhos de tanto sofrer. Soluços incessantes, um choro de desespero. A música continua tocando, e dessa vez ela me leva ao dia em que viajamos, nossa primeira viagem juntos, estávamos felizes, nos prometendo amor eterno. Seus braços entrelaçavam os meus, seu sorriso transbordava minha alegria. Nós eramos tudo o que eu precisava pra ser feliz. Continua sendo.

Me levantei e fui lavar o rosto, olhei minha imagem no espelho, enxerguei meu interior sem você. Eu estava refletindo o que meu coração sentia, dor, desespero, saudade, amor. O meu espelho estava sujo, ele mostrava os hematomas que o meu coração sofreu, as cicatrizes que estavam sarando e que inflamaram, estão expostas ao mundo agora. Baixei a cabeça por não aguentar me ver sem você, destruída, sem rumo. Enxuguei o rosto e voltei para cama, me enrolei nos lençóis, estava ficando resfriada. 

A noite demorou a passar, a música ainda está tocando. Eu não consegui dormir, faltava algo, faltava alguém. Meus pés estavam gelados, meu corpo à procura de alento, meu olhar procurava o seu. Sem hesito. Virei para o lado e para o outro, peguei o celular e fui na galeria, nossa pasta, seu sorriso, nossos momentos juntos. Que saudade de você. A sua parte preferida da música começa "So I'm holding my heart out to you", fecho os meus olhos e falo baixinho: "ele continua sendo seu, o meu coração, eu estou guardando para quando você voltar. Ele sempre será seu." Você cantava isso no meu ouvido, e eu prometi a você que nunca o deixaria, mesmo que tudo fosse ruim, com você, tudo sempre ia bem. E eu estou guardando ele pra você até agora. 

A música ainda não parou. A campainha toca, é madrugada, a chuva está mais forte. A nossa música, a sua parte favorita, as lágrimas nos olhos. Me levanto e vou ver quem é. Roupas molhadas, sem flores, um sorriso tímido, um olhar de perdão. Você voltou! Aproveita enquanto a música ainda está tocando, me beija e diz que nunca mais vai embora, me aqueça no seu corpo. A música continua a gritar no meu ouvido "Até que você venha e eu seja inteira, e nos tornemos um e o fogo em mim seja completo..." Você veio, e hoje, além de completa, você me deixou  transbordando, não de lágrimas, mas de sorrisos. A música não vai mais parar. Vamos dançar na chuva, amor.

Eduarda Lins

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