05 novembro 2014

O vento te trouxe de volta

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O vento soprou forte e bateu na janela do quarto me fazendo acordar no susto. Me levantei, peguei a outra parte da camisola que estava pendurado na cabeceira da cama e vesti. Fui até a janela fechar, não me lembrava de tê-la deixada aberta. Olhei pro céu, estava lindo, a lua estava lhe fazendo companhia, como sempre faz. De soslaio olhei para fora, havia um carro parado em frente a minha casa, achei estranho pois era quase uma da madrugada. Fechei a janela rapidamente e voltei para cama. Não demorou muito e a campainha tocou. Hesitei em atender, eu estava sozinha em casa, eu sempre ficava desde de que o Luck se fora. 

Demorei a atender, e ela continuou tocando sem parar. Eu ia ligar para a polícia, pensei ser um ladrão, mas ladrões não apertam a campainha, não é? Então desci as escadas e fui atender quem quer que fosse. Olhei no olho mágico e imediatamente paralisei, minhas pernas tremiam como nunca e meu coração quase saltou para fora. Eu devia estar sonhando, era isso. - O Luc viajou para o Canadá e ficará lá por um ano, nós terminamos antes dele viajar. Ele me dissera que manter um relacionamento o distância nunca ia dá certo. Eu sempre discordei dele, mas não pude impedi-lo de ir. Ele estava lá a quase 3 meses, nesse meio tempo nos falamos 4 ou 5 vezes, não mais que isso. - Mas agora eu o via do lado de fora da porta da minha casa as uma da madrugada.

Era meu aniversário, e eu tinha expectativa de passa-lo com a minha família, ou sozinha em casa, na cama, comendo chocolate e assistindo filmes românticos que sempre me faziam chorar. Esse seria o meu primeiro aniversário longe do Luck depois de 4 anos juntos. Eu estava tentando me acostumar com a situação, e sabia o quão deprimente seria passar qualquer dia que fosse sem ele ao meu lado. Ele começou a falar em voz alta meu nome, pedindo para que eu abrisse a porta. Despertei. Olhei novamente pelo olho mágico. O Luck estava mesmo ali.

Com uma bolsa nas costas e um sorriso de lábios roxo no rosto ele disse 'oi' e me pediu desculpa pela hora. Eu estava com cara de quem não estava entendo nada, e ele percebeu porque começou a se explicar. No primeiro momento eu quis mandá-lo embora, ele me magoou muito antes de viajar, e agora volta como se nada houvesse acontecido? Mas então ele disse que não suportaria passar mais um dia longe de mim, e que o Canadá, por mais que fosse lindo, sem mim não tinha graça. Sorri meio sem graça e com lágrimas nos olhos.

"Foram três meses tentando me acostumar a viver sem você. Mas nossos quatro anos falaram mais alto. Eu comecei a imaginar como seria viver sem você e era tudo tão monótona, sem graça, sem vida. Me passou pela cabeça que você tivesse com outra pessoa, e eu não suportaria te ver nos braços de outrem senão eu. Voltei porque te quero de volta, porque hoje fazemos quatro anos, seis meses e dez dias que estamos juntos. Nem por um minuto eu deixei de pensar em nós. Feliz aniversário, meu amor.", então ele me abraçou forte e eu chorei.

Eu ainda estava meio chocada com tudo, sem acreditar que aquilo estava, realmente, acontecendo. Ele era tão imprevisível, de repente pegou o violão que ficara na sala, nos sentamos nas almofadas no chão e ele começou a cantarolar para mim. Como nos velhos tempos. O inglês dele estava impecável, e para mostrar como melhorou, começou a cantar músicas internacionais. Uma da Toni Braxton, do Rascal Flatts e para terminar, cantou uma do Train..."Marry Me. Today and every day." um encanto, ele cantava muito bem, por sinal. De repente ele se ajoelhou, tirou algo do bolso e pegou minha mão. Começou a cantar um trecho da música em português... "Você é linda. Agora que a espera acabou e finalmente o amor mostrou-lhe o meu jeito. Casa comigo?"

Olhei o anel que ele comprara para mim, olhei para ele esperando uma resposta e então falei ainda olhando em seus olhos: Eu digo sim ao nosso amor. Digo sim aos encontros e desencontros. Digo sim ao seu sorriso, ao seu abraço, e à mais noites como essa. Diria sim para sempre, todos os dias da minha vida, eu diria sim à você, meu amor, meu Luck. Te amo.

"Prometa-me, você sempre será feliz ao meu lado. Eu prometo cantar para você quando todas as músicas morrerem."

Ele me olhou nos olhos e, por fim, me beijou. Eu sorri dizendo sim.

Eduarda Lins

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