08 abril 2015

Cedendo a vez para a linda Adélia Prado

Serenata
 
Google imagens
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?

Como a fecharei, se não for santa?         
                                                                          
Adélia Prado


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela sua visita!
Ficaremos muito felizes com teu comentário!

Att,
Nós, Poéticos e Literários!
nospoeticos@gmail.com

Design por Amanda
[ voltar para o topo ]