23 abril 2015

Dela, o que foi tirado, não há como substituir...

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Sei que para quem está de fora é muito fácil dizer isso, mas ainda assim por conhecer a fundo as suas histórias, eu me arrisco: Não.há.mesmo. E ao te falar desse modo, eu não estou te culpando, e muito menos a eximindo da responsabilidade que lhe cabe.  Só vejo o quanto é complicado sabe? Vejo que quanto mais ela pensa, mais confuso se torna o caos que se instalou no seu peito,  e que ela não sabe ainda como vai conseguir administrar tal sentimento, agora que nem você para conversar sobre tudo isso lhe restou. 

Você acha minhas observações estúpidas? Tudo bem. De onde estou eu também nunca consegui te entender completamente. Nunca consegui compreender o que de fato te ligou a ela, e por isso vi com certo receio a segurança dela em achar ter finalmente aprendido a se proteger, a cuidar mais do seu coração. Vi com preocupação ela te encontrar naquela manhã, e achar que voltar a falar com você seria, portanto, a sua última prova. Ingênua demais... Hoje não só eu vejo, mas ela também, que a tal prova terminou por deixá-la completamente em cinzas, e ela já não enxerga mais nenhum rastro de si mesma.

É, é mais ou menos assim que ela se sente, meu caro. A força que ela julgava ter aprendido a cultivar se foi com toda as suas palavras. Palavras que ela até tentava ouvir sempre com o pé atrás, mas que ainda assim conseguiram romper a blindagem que ela julgava ter erguido em torno de si. Não foi difícil para você vencer aquela frágil resistência, né? Aliás, nada foi difícil pra você durante todo esse tempo... Mas tudo bem, eu sei e ela também que ninguém foi forçado a nada.

E enquanto hoje eu escrevo por ossos do ofício, eu a vejo fazer isso também,  observo ela dar vida a textos e mais textos,  movida por uma tentativa insana de colocar toda a droga que vocês viveram para fora. No fundo ela queria conseguir te culpar, te xingar, te dizer que você foi covarde por ter deixado que as coisas fossem longe demais, quando você mesmo sabia como tudo iria terminar. Mas ela não consegue, sabe? Não consegue porque ela, embora sonhando, também sabia... 

Sim. Ela sabia que os interesses de vocês eram diversos e incompatíveis. Ela sabia que cedo ou tarde a cordinha que os unia iria arrebentar, e que seria ela a pessoa a se estatelar com a bunda no chão. É, moço... E mesmo sabendo de tudo isso, ela me aparece assim, aqui, e agora, ainda tonta com o baque (in)esperado; ainda tentando entender e me suplicando uma resposta sobre quando, como e por que ela se deixou amarrar a você, mesmo sabendo o tamanho do nó que ela - sozinha - teria de desatar no final.

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