20 fevereiro 2014

Café com amor.



Fim de tarde, ele caminha distraído pela calçada. Mas é claro que por maior que fosse sua distração, ele nunca deixaria de reparar naquela mulher. Ela estava sentada naquele café, como de costume, ela faz isso todas as tarde de inverno e outono. Impossível não lembrar disso, já que até algum tempo atrás, ele lhe fazia companhia, não que gostasse de café, mas era incrível estar com ela.
Aproximou-se, ainda que pensativo, não sabia se devia. Será que ela já havia o perdoado? Será que ainda pensava nele? Ou será que outro alguém já lhe tomara o coração?! Resolveu arriscar. Disse “oi” discretamente, ela o olhou e sorriu... Como o sorriso dela é lindo, pensou consigo. Lembrou também do quanto era feliz ao lado dela, porque deixou tudo se perder?
Posso sentar contigo? Perguntou ele, completamente acanhado e crente que ouviria um não, mas para sua surpresa ela lhe disse sim. Pediu outro café, e perguntou se ele a acompanhava. Aquele cheiro de café lhe lembrava de casa. Então pensou em dizer a ela tudo que estava sentindo. O quanto à falta dela era gritante, que a saudade lhe consumia a sanidade e o amor doía à alma!
Olhou-a e balbuciou o nome dela, que o olhava atentamente: Preciso que me perdoe, não posso, não quero, nem consigo ficar mais longe de ti. Os dias têm parecido anos e nada é tão bom como era quando estava ao teu lado. A verdade é que eu te amo, demorei a entender, mas agora eu sei. Ela continuou fitando-o e ele fazia aquela carinha de abandonado que por muitas vezes a comovia.
Ela respirou fundo, algumas lágrimas começaram a cair de seus olhos, e surgiu um sorriso; Eu esperei tanto para ouvir isso, eu esperei no dia seguinte em que você saiu de casa, daí eu esperei por mais uma semana, quando percebi, havia passado dois meses e eu ainda esperava você, qualquer coisa, um telefonema, um sinal. Mas, você não... Então me aparece hoje, tão doce, tão arrependido, tão apaixonado... Sabe, eu mantive a sua vaga na garagem reservada, eu nem sei por que, acho que é a força do hábito. Sempre achei que uma hora ou outra você iria voltar, não pra ficar, mas, para conferir o estrago que fez, que não é mais estrago. Eu saí catando, uma por uma das nossas fotos que eu rasguei em momentos de fúria, também tive que catar o meu coração que estava aos cacos. Opa, me desculpa, prometi pra mim mesma que não iria usar frases com coração. Agora, você quer voltar pra casa? Tudo bem, aparece lá qualquer dia desses, não vai estranhar, porque está diferente, o mesmo de um jeito diferente, igual a mim. Você está me entendendo?! Bom, quando der me liga, vai ser bom sentar com mais tempo e falar sobre como anda a vida, quem sabe, você não descubra que de alguma forma eu despertei em você um novo jeito de entender as coisas, de viver a vida. Sabe, eu acreditei que você vinha, e veio, não foi? Fui louca, mas quem não é quando ama desmedidamente? Hoje, quando chegar em casa, a vaga na garagem não será mais sua. Nesse momento, a gente sela o fim, que ficou mal dito desde aquele dia. Se você quer alguém para amar, aqui, você não encontra mais, quem sabe no café da outra esquina? O mundo é tão vasto e tem sempre alguém por aí, não é assim que você dizia?
Não havia o que falar, sua mente dava voltas, como pode ela ter mudado tanto. Pensava ele, sem respostas a dar. Ela foi embora, e ele ficou sentado lá... Teve coragem de ligar? Ou de aparecer? Não, ele nunca mais falou com ela, ainda que por muitas vezes a encontrasse naquele mesmo café, ainda que ela estivesse sozinha, ainda que ela lhe sorrisse, por educação ou não.

Ele prometera a si mesmo que nunca mais falaria de amor, portanto, nunca mais prenunciaria o nome dela!

Manueli Dias

Um comentário:

  1. Aplausos Manu!!!!
    Texto lindo e envolvente! Vc escreve de uma forma cativante! Gosto muito disso! (=

    Beijuss!!!

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